Trânsito caótico todos os dias! Em alguns pontos da maravilhosa cidade do Rio de Janeiro os engarrafamentos começam mesmo muito antes das sete horas da manhã, e com agentes de trânsito e tudo, e não há uma solução oficial, com todos os impostos que nós pagamos, e alguns ufanistas de plantão estão comemorando a reabertura do Maracanã!
Estádio moderníssimo, rico, mas uma política mais velha do que a do Império Romano, e um povo miseravelmente anestesiado!
Coitado do povo do Rio! Sofre calado na maioria das vezes...
O Poder Público não tem autoridade alguma, vive de propaganda, oficial ou gratuita, feita pela imprensa velhaca, alinhada ou não, depende do momento, mas o que vale mesmo é que o estado, no dia a dia das ruas, dos serviços públicos e da autoridade civil, é crítico, beira o caos urbano, e enquanto isso todo mundo comemora o futebol, de uma seleção brasileira que não entusiasma nem o mais fanático e alienado torcedor...
E nós continuamos vivendo de uma propaganda retórica, distante da realidade das ruas, e de um dos Estados mais taxados do mundo, e que prevarica cada vez mais...
Era pior há cinquenta anos, eu concordo, com ditadura e tudo, quando todo mundo dizia que este era o país do futuro. O tempo vai passando e pouca coisa mudou. É chegado o momento de nos perguntarmos: quando é que este estado de coisas velho irá fazer jus às expectativas dos ufanistas do passado, e que muitos desses ainda comandam as coisas por aqui...?
E os idiotas e encalacrados do presente...?
E os atentos e despertos de plantão...?
Quando este país terá um futuro realmente digno...?
Respondam-me, talvez, daqui a cinquenta anos...
segunda-feira, 3 de junho de 2013
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
O SENHOR DAS ÁGUAS - UNIDADE XII - CAPÍTULO 1 - PARTE III
– Vou perguntar,
Lourdes... E ao Tanaka também... Ele está aqui em Boa Vista?
– Acho que sim...
Tudo isso entre uma
gansada e outra.
– Você tem o
telefone dele?
– Eu?! Porque eu
teria o telefone dele, Brando?!
– Não sei. A sua
filha deve ter...
– Não se faça de
bobo, Brando!
– Eu não me lembro
do telefone agora, bolas!
Mas Maria de
Lourdes não ouvira mais nada, porque fora atender a uma das criadas que a
solicitara...
Voltando logo em
seguida...
E comunicando ao
marido:
– Brando... – ouviu
um “o que é?” meio rouco. – Tem um moço aí querendo falar com você com
urgência... Ele pergunta se você pode recebê-lo agora...
– Um moço?! Que
moço, Lourdes?!
– Tenória me disse
que ele é da polícia...
– E o que a polícia
quer aqui, Lourdes?!
– É melhor receber
o rapaz pra saber, Ildebrando!
– Hã?!... – neste
momento os gansos chiaram uns com os outros, uma algazarra somente tolerada
porque os animais eram realmente muito queridos do grande latifundiário. – Não!...
– Lourdes ficou sem saber se a negativa correspondia a sua solicitação ou aos
gansos, o que era mais provável, pois eles ameaçavam partir para cima do seu
dono, excitados ao extremo neste momento. – Diga que eu não estou...
– O quêêêê? –
berrou Lourdes que não entendera.
– Diga que eu não
estou, Lourdes!
– Tarde demais, meu
amor. Tenória já disse que você estava em casa...
– Que caboclinha
estúpida, meu Deus! – esbravejou Ildebrando como que pensando alto.
– O quêêêê?!
– Nada, Lourdes!...
Deixe qu’eu vou receber o rapaz... – disse Ildebrando largando os gansos. – Vou
tomar um banho antes... – completou, batendo as mãos. Pó de ração esvoejou para
todos os lados. – Mande-o esperar, sim?
– Sim senhor,
Senhor Ildebrando Seixas – retrucou Maria de Lourdes com uma ironia fanfarrona.
Depois de um
banhozinho básico...
domingo, 25 de novembro de 2012
O SENHOR DAS ÁGUAS - UNIDADE XI - CAPÍTULO 8
Dona Wirna me pediu
pra ficar até um pouquinho mais tarde hoje...
Meeerda!
Logo hoje qu’eu ia
sair com o Rodolfo!
Já liguei
desmarcando tudo...
O seu Celso já foi
embora...
Ela tá aí ainda...
Falando ao telefone
o tempo todo...
Naquela língua
complicada dela...
Às vezes ela fala
em inglês também...
Eu entendo alguma
coisa...
As coisas andam
muito agitadas na Sweetwaters ultimamente...
O Rodolfo ficou
preocupado com aquelas coisas que o irmão dele falou pra gente...
Eu fiz o que ele
mandou...
Tô fazendo de conta
que não aconteceu nada...
E o seu Celso não
tocou mais no assunto...
Nem a dona Wirna...
Sabe do que mais?
Não aconteceu absolutamente nada! O seu Celso e a dona Wirna não são
criminosos, assassinos...
É tudo besteira...
– D. Sylvia... –
disse Wirna Schwarschlegell, abrindo a porta de sua sala. – A senhora pode ir.
Eu fecho tudo por aqui. Obrigada. Até amanhã...
Sylvia Salgado
pegou suas coisas, já estava tudo arrumado, e despediu-se da patroa.
“Talvez ainda haja
tempo de pegar aquele cineminha com o Rodolfo”, pensou Sylvia, satisfeita da
vida.
Ela deixou o prédio
na Sweetwaters, como sempre fazia, em direção a sua casa...
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
O SENHOR DAS ÁGUAS - UNIDADE XI - CAPÍTULO 7 - PARTE 7
– Descubra tudo o
que você puder sobre as conexões entre a Sweetwaters e os figurões de Boa Vista...
– E se houver
outros testas de ferro acima desses?
– Nós descobriremos,
Sérgio. Não se preocupe...
– Posso lhe fazer
uma pergunta, Felipe? Acredito que você não foi tão honesto comigo...
– Mais ou menos. Se
você precisar de outros dados pra acrescer a sua matéria, é só nos procurar...
– OK, Felipe. Muito
obrigado. Mas você pertence ao serviço de inteligência do exército, não é?
– Eu trabalhava no
7º PEF...
Sérgio Tavares continuou
fitando seu interlocutor, sem esconder a surpresa.
– Eu, e minha colega
no quartel, a Tenente Nascimento, fomos os responsáveis pelo desmantelamento do
acampamento dos traficantes, bem como a prisão do seu chefe, o Comandante Salas...
– continuou Felipe, mudando de tom. – Mas no dia que os traficantes voltaram
pra se vingar – continuou Felipe – eu estava em Boa Vista... Acho que fui
sorteado no céu pra sobreviver naquele dia – desconversou Felipe.
A pausa que veio a
seguir significava que Sérgio Tavares estava digerindo aquilo que acabara de
ouvir.
– Que situação! –
disse o jornalista, que não tinha mais nada para dizer. – Bem... Eu posso ligar
pro seu hotel?... Caso descubra novas pistas?
– Fique à vontade –
retrucou Felipe, ainda sério. – Ou entre em contato com Mouzon – continuou ele,
entre debochado e carinhoso. – Nós trabalhamos juntos neste caso, esqueceu?
Felipe se levantou
do luxuoso sofá onde se sentara. Esta sala devia ser destinada a convidados
muito especiais. Ele deu uma última piscada de olho para o jornalista e saiu.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
O SENHOR DAS ÁGUAS - UNIDADE XI - CAPÍTULO 7 - PARTE 6
– Estou pensando
que a Sweetwaters é a maior Organização Não Governamental ambientalista em
atividade no mundo. E por estar presente em todos os cantos do planeta, eles
conhecem como ninguém os segredos de cada ecossistema... Meu Deus, Felipe! A
Sweetwaters talvez sirva de fachada pro maior golpe de apropriação indébita da
face da Terra!
– Muito mais do que
isso, Sérgio. A Sweetwaters, na verdade, não passa de uma agência de
inteligência apátrida, com a função de investigar e enviar as informações
necessárias pra esses grupos particulares envolvidos com desestabilizações
políticas nos locais de interesse deles...
– E com a anuência
dos governos nacionais...
– E de toda a sociedade
local que os auxilia...
– Quem são essas
eminências pardas manipulando a Sweetwaters, Felipe?
– Você não quer que
eu faça o dever de casa pra você, quer?
– Agora eu estou
entendendo o que o Mouzon e o Paranhos queriam de mim...
– A PF vai gostar
de saber disso...
– Mas você está...
trabalhando com eles? – perguntou Sérgio Tavares, incrédulo. Felipe anuiu,
paternalmente. – Agora está tudo claro pra mim...
– Acho que podemos colaborar muito mais uns
com os outros...
sábado, 17 de novembro de 2012
O SENHOR DAS ÁGUAS - UNIDADE XI - CAPÍTULO 7 - PARTE 5
– Mas se essas
pessoas com um poder acima da lei querem pôr a mão no ouro e nas outras
riquezas que estão por lá, o que as está impedindo?
– Está é a questão,
Sérgio. Imagine que daqui a um par de décadas, a água se torne um bem muito mais
precioso do que o petróleo é hoje...
– De certa forma já
é; existe pirataria de água na Amazônia.
– Eu sabia que você
era um sujeito bem informado. Agora continuemos o nosso exercício de imaginação...
Vamos supor que haja entre essas pessoas um círculo bem menor, que deseje
tornar toda esta região uma grande fazenda privada...
– Seriam os donos
da maior reserva de água potável do planeta.
– Eu não estava
mentindo quando disse que você tinha um cérebro, Sérgio Tavares...
– E quem seriam os
candidatos a donos da Amazônia?
– Novos personagens
apareceram na trama de ontem pra hoje...
– Novos personagens
ou novas instituições?
– Ambos...
– Cite-me um
apenas...
– Vou citar uma
instituição que talvez seja o fiel da balança nessa história...
– Diga...
– Você conhece a
Sweetwaters?
– Se eu conheço a
Sweetwaters? Eu já estive lá entrevistando os dois executivos responsáveis pela
ONG no Brasil...
– Então você sabe
os nomes deles...
– Mas é óbvio que eu
sei... Meu Deus!...
terça-feira, 13 de novembro de 2012
O SENHOR DAS ÁGUAS - UNIDADE XI - CAPÍTULO 7 - PARTE 4
– Essa é nova pra
mim!
– Voltando àquela
história do 7º PEF, você deve ter lido que aquela unidade foi completamente
destruída por um ataque dos traficantes, matando todos os militares que estavam
de serviço naquela oportunidade. Foi uma retaliação dos traficantes, sabia?
– Porquê?
– Porque dias
antes, nós e a Polícia Federal havíamos estourado um acampamento clandestino deles,
e capturamos um homem de nacionalidade venezuelana, um tal de Comandante Salas,
que nós descobrimos estar infiltrado na Miko Exportação & Importação, uma
empresa japonesa que comercializa a produção dos rizicultores naquela região...
– Realmente,
Felipe. Há muito mais coisas que imagina nossa vá imprensa – retrucou Sérgio
zombeteiro.
– Você é um
jornalista muito bem informado, Sérgio Tavares, sem dúvida...
– Sem dúvida,
Tenente Corrientes. Agora estou me lembrando daquela lista de notáveis da
sociedade de Boa Vista que o delegado Paranhos me mostrou quando eu estive por
lá...
– Tem muita gente
envolvida nesse caso da Raposa Serra do Sol agindo por trás dos bastidores, manipulando
pessoas para alcançar um fim bem específico...
– A devastação da
Amazônia?
– Talvez eles não
queiram a devastação da floresta em si, e sim torná-la uma área mais rentável...
– Eles quem,
Felipe?
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